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Shalon e Salam
Há emoções na vida que se repetem e, não obstante, a intensidade não diminui. Isto acontece comigo quando ouço a ópera Nabuco de Verdi, especialmente no terceiro ato quando os hebreus cantam suas esperanças e felicidade por chegarem às margens do Eufrates, limiar da libertação da escravidão a que foram submetidos no Egito. A exaltação da liberdade e o reconhecimento do direito de propriedade de seu território é a saga que marca a existência da nação judaica. Desde 586 a.C, quando foram exilados na Babilônia, que os judeus lutam por uma nesga de terra onde possam viver em paz. Foi o marco da primeira diáspora judaica que, infelizmente, se repetiria até que, finalmente, encontrassem seu pequeno chão. O amor dos judeus pela liberdade é tal, que a invasão de Massada pelos romanos em 63 da era cristã, fez com que os mil judeus ali refugiados se suicidassem, para não se submeterem à escravidão romana. A lembrança dos 400 anos de opressão pelos egípcios ainda estava viva. A têmpera judaica foi forjada através de séculos de resistência à discriminação e perseguições sem fim. 58 anos após sua independência, Israel continua a ter sua soberania ameaçada por vizinhos radicais e inconformados. Terroristas agridem os israelenses com carros-bomba, homens suicidas - até crianças - e, agora, o Hezbollah, entrincheirado no sul do Líbano despeja uma chuva de mísseis sobre as cidades do norte israelense, ainda por cima, seqüestram dois soldados de Israel. A reação era mais do que previsível. Quando os Estados Unidos reforçaram o combate aos terroristas, logo após o 11 de setembro, a frase que serviu de mote - e que ninguém contestou – era: “um país que não sabe se defender não pode ser chamado de nação”. É a velha teoria do general chinês Sun Tsé (VI a.C): “se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Israel está preparada, não para agredir, mas para se defender. A história do povo judeu é de sofrimento e paz. A história dos conflitos mundiais alimenta a resistência israelense pois prova que a nação que dá o primeiro tiro perde a guerra. Israel está, simplesmente, dando o troco. A luta contra o terrorismo será longa e não se pode esmorecer. O radicalismo obtuso e insano que matou Rabin em Israel em 95 é o mesmo que, anos depois, assassinou Hariri no Líbano. A humanidade perdeu dois grandes líderes por conta de radicais que, como muito bem definiu De Gaule “é o sujeito que redobra seus esforços após perder de vista o seu principal objetivo”. Será que estavam errados em desejar a paz para seus povos? O território de Israel é minúsculo, apenas a quarta parte da Transjordânia, e foi preciso muita luta e heroísmo para preservá-lo. Uma planície entre o mar e as colinas de Golan ao norte era alvo fácil para as baterias sírias que atacavam Israel exatamente na região do Tiberíades, onde viveu Jesus e se encontra Jerusalém, terra sagrada para árabes e judeus. Com a vantagem de atirarem de cima, infernizavam os israelenses. Não suportando mais aquela agressão, os israelenses empreenderam a Guerra dos Seis Dias e desalojaram os agressores. Devolver esta faixa de terra é impossível e seria um suicídio, a não ser que a ONU se responsabilize por sua ocupação pacífica, o que duvido que faça ou que tenha força suficiente para isso. O grande pivô desta crise no Oriente Médio é a ausência de autoridade por parte do Líbano para colocar um freio nas ações do Hezbollah que, inclusive, abrigou-se no Parlamento libanês com um numero expressivo de cadeiras. Vivem em Israel mais de um milhão de árabes com todos os seus direitos preservados, inclusive, a plena cidadania israelense. A grande maioria está no norte, portanto, nas proximidades da fronteira com o Líbano e, mais do que ninguém, torcem pela paz que, a um só tempo, preserve a liberdade democrática que desfrutam e, de outro lado, não permita que o Líbano, certamente o país mais bonito da região, seja dilacerado por bombardeios provocados pela insensatez do Hezbollah. Penso que a paz duradoura naquela região dependerá da implantação de uma democracia estável nos países vizinhos a Israel o que, diga-se, tem sido a linha da diplomacia americana que, infelizmente, a Bushfobia patológica de alguns brasileiros não permite enxergar. Como católico, minhas orações são para que a mediação prevaleça pois, afinal, a média é o perfume da justiça. Há de chegar o dia em que judeus e árabes se saúdem e ouçamos, de lado a lado, SHALON E SALAM. Gilberto Ramos |